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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Todos os Samples | Desde o albúm Sobrevivendo no Inferno – Racionais MC’s

Todos os Samples | Sobrevivendo no Inferno – Racionais MC’s

Os samples usados pelo Racionais MC's
Trechos de músicas que ajudaram a formar as bases do grupo.

Tim Maia, Marvin Gaye e outros artistas já emprestaram samples do Racionais (Reprodução)


Se a primeira edição da coluna Todos os Samples abordamos um álbum clássico, essa semana apresentaremos um dos pilares fundamentais do rap brasileiro. Com 20 anos recém completados e cada dia mais atual e necessário, Sobrevivendo no Inferno segue como obra irretocável da música brasileira.

Planejamos fazer um podcast comentando curiosidades e experiências pessoais com este álbum, mas saiu tanto material bom sobre o assunto – como este vídeo do Ronald Rios – que optamos por outra abordagem. Veja todos os samples utilizados pelos Racionais MC’s na produção de Sobrevivendo no Inferno!

Sobrevivendo no Inferno – Racionais MC’s

Sobrevivendo no Inferno é um marco, um objeto gigantesco para a música brasileira e os signos representados por aquelas palavras, riscos, batidas e samples são a pedra fundamental da vida de muita gente. A partir do estrondoso sucesso desse disco, surgiram mitos, lendas e a alcunha dos quatro pretos mais perigosos do Brasil.

A forma de disseminação ímpar que se deu com o álbum foi inédita, veio das periferias para o mainstream. De maneira independente e autônoma, o Racionais MC’s se colocou em um patamar inatingível para os críticos tradicionais. Não importava o que eles diziam ou pensavam, a influência, admiração e o respeito dos ouvintes e fãs era o capital do grupo.

Não foi preciso aparecer em trilha de novela ou programas dominicais para vender o disco ou disseminar as ideias. As periferias absorveram cada palavra e cantou como oração todas as músicas de ponta a ponta do álbum. Isso é o que tornou a banda tão influente e perigosa, o sistema tradicional não conseguiu colocar nenhuma rédea nos Racionais.

E após 20 anos, ninguém chegou perto de produzir algo tão impactante e necessário quanto Sobrevivendo no Inferno. Vamos falar um pouco da composição dos elementos sonoros como samples e colagens nas próximas linhas.

Jorge da Capadócia


O álbum já inicia com a junção de dois clássicos, o cover de Jorge da Capadócia lançada por Jorge Ben Jor no disco Solta o Pavão na base sampleada do medley Ike’s Rap II e Help Me Love de Isaac Hayes.


Genesis


A faixa de introdução do álbum, no sentido estrito da palavra, é essa. Inclusive pelo título referenciando o livro bíblico da criação e a fala do Mano Brown direcionando o caminho que as dez faixas seguintes trilhariam. Uma anotação sobre o que nos é dado e em como transformamos o entorno através de nossas ações.

Capítulo 4, Versículo 3


Uma das faixas mais aclamadas pela construção lírica, também merece atenção especial pela composição estrutural dos beats. Elementos de diversas músicas foram utilizadas nesse som, logo após a abertura de Primo Preto esse gancho de Slippin’ Into Darkness do grupo de funk californiano War dá ares de anunciação à música.
A bateria é sample de Sneakin’ in the Back de Tom Scott and The L.A. Express, o baixo é Pride and Vanity do Ohio Players e o clássico Aleluia vem de Pearls da Sade (a rainha da Alpha FM).
Em destaque no vídeo abaixo o trecho sampleado de Eles Não Sabem de Nada do MRN, clássico do rap paulistano do início dos anos 1990.

Tô ouvindo alguém me chamar


A faixa inicia com este trecho Do It to Me Now da The Fatback Band como trilha de fundo, logo antes do sample de Poor Abbey Walsh de Marvin Gaye que introduz a cobrança do Guina.
O sample principal desta faixa é Charisma do trompetista de jazz americano Tom Browne.

Rapaz Comum


Aqui encontramos o primeiro conflito de informações, pois em algumas fontes aparece como sample utilizado para o instrumental a faixa Black Steel In The Hour Of Chaos do Public Enemy. Porém o sample utilizado nesse som do Public Enemy é Hyperbolicsyllabicsesquedalymistic do Isaac Hayes.
Como o KL Jay já havia utilizado outro sample de Isaac Heyes em Jorge da Capadócia, vou deixar o vídeo abaixo vinculado como referência original. Esta é uma dúvida em aberto que só o produtor pode resolver.

… (Interlúdio)


A faixa instrumental produzida por KL Jay utiliza o sample da música Whats the Use do trompetista de jazz Jimmy Owens.


Diário de um Detento


Uma das músicas mais emblemáticas de todos os tempos que inclusive alterou o modus operandi de rádios e da MTV surpreende pela simplicidade da produção. A bateria que é tão marcante (e marcada) é sampleada de Easin’ In de Edwin Starr, uma das estrelas da Motown. Ainda é utilizado esse pequeno gancho para as transições que é um sample de Mother’s Son do Curtis Mayfield, um dos meus guitarristas favoritos.


Periferia é Periferia (Em Qualquer Lugar)


Outra faixa em que o KL Jay não economizou nas referências e utilização de samples e colagens. A base do instrumental novamente é de uma faixa de Curtis Mayfield, Cannot Find a Way é utilizada de ponta a ponta.

E as colagens são o ponto alto dessa faixa, utilizando muitas referências de outros artistas do rap nacional, a composição contextualiza de maneira inegável que periferia é periferia em qualquer lugar.

Entre as músicas utilizadas estão esse trecho de Por Um Triz e este aqui de Brava Gente do Thaíde & DJ Hum.

O refrão é baseado em Brasilia Periferia do GOG e composto por colagens de Bem Vindo ao Inferno e Cada Um Por Si do Sistema Negro e Um Dependente do MRN.

Além dessas, KL Jay utilizou os samples de Homem Na Estrada e Fim de Semana no Parque dos próprios Racionais MC’s.


Qual Mentira Vou Acreditar?


Talvez minha faixa preferida do álbum e outra vez caprichada nos samples e colagens. Na movimentação do dial no início da música temos a colagem de Chegou A Hora do Boi Garantido (música que também era a trilha do comercial do óleo corporal Auê) e Vem Quente Que Eu Estou Fervendo do Barão Vermelho.
A base do instrumental é o sample de Hip Dip Skippedabeat do grupo clássico de soul Mtume. E ainda há a colagem da música Esquinas do Djavan no verso “Me chamar de meu preto e me cantar Djavan”.

Mágico de Oz


O storytelling poderoso de Edi Rock em uma faixa de mais de 8 minutos relatando a precariedade e invisibilidade dos usuários de crack tem a base instrumental sampleada de It’s Too Late do The Isley BrothersAqui novamente KL Jay utiliza um trecho de Homem na Estrada.


Fórmula Mágica da Paz


A penúltima faixa do álbum tem duas versões de sample, a original é Attitudes do The Bar Keys e a versão ao vivo de 2001 que utiliza como base instrumental o sample de Be Alright da banda norte-americana de funk Zapp.


Salve


Outra contradição nas fontes encontradas para a faixa de encerramento do álbum. Em alguns lugares encontrei a referência do sample de Glory Box do Portishead, porém também encontrei a referência de reutilização do sample de Ike’s Rap II do Isaac Hayes.
E como o Portishead sampleou Ike’s Rap II na música acima referida, vou considerar para o post a versão original de Isaac Hayes.


Samples usados pelo Racionais MC's
Trechos de músicas que ajudaram a formar as bases do grupo.

Se você já teve a experiência de ouvir Racionais MCs com os seus pais por perto, é bem provável que eles tenham reconhecido algum pequeno trecho de canções antigas nas músicas dos caras – e pirado na hipótese de você curtir algo que é da época deles.

E se você for analisar os discos deles (assim como o rap em geral), vai perceber a presença de vários outros samples de diversos estilos diferentes que compões os clássicos da carreira do grupo. Confira abaixo alguns sons que influenciaram as músicas do grupo de rap mais forte do Brasil. 

Vida Loka (Parte I)

Aquele conversa sobre a vagabunda que queria atacar o malucão e usou o nome do Brown é embalada por uma música de extrema qualidade, “Soon I’ll Be Loving You Again”, do Marvin Gaye, perfeita para ficar trocando ideia com os amigos mesmo. Já o restante de “Vida Loka (Parte I)” tem a base de “You Are My Love”, do Liverpool Express.

Vida Loka (Parte II)

O trompete levemente triste que embala as rimas de Mano Brown em "Vida Loka (Parte II)", um dos maiores clássicos do Racionais, vem da música “Theme From Kiss Of Blood”, da parceria entre The Button Down Brass e Ray “Funky Trumpet” Davies. 


Tô Ouvindo Alguém Me Chamar

"Tô Ouvindo Alguém Me Chamar" deve ser uma das faixas mais tensas de toda a discografia do Racionais, mas ela não seria tão tensa se não existisse a base de “Charisma”, do Tom Browne. Outra faixa presente na mesma música é “Poor Abbey Walsh”, do Marvin Gaye.

Jesus Chorou

Uma das músicas prediletas dos fãs do Racionais é “Jesus Chorou”, mas o que poucos sabem é que a base dessa música vem da faixa “Free At Last”, do Al Green.

Racistas Otários

Em "Racistas Otários" a aparição da faixa “UFO”, do ESG, rola aos 11 segundos da track. Já no final, a inconfundível gargalhada maléfica de Vincent Price em “Thriller”, do Michael Jackson se faz presente.

Hey Boy

"Hey Boy" é um dos primeiros sucessos do Racionais MCs e conta com um micro sample de classe. “Bring the Noise”, do Public Enemy aparece levemente logo no início da música.

Homem na Estrada

Muito antes de ser recitada por Eduardo Suplicy no senado, “Homem na Estrada” foi responsável por ressuscitar a excelente faixa “Ela Partiu”, de Tim Maia. 


Rappers opinam sobre políticos brasileiros, em especial a Bolsonaro.


Em entrevista ao #TripTVMano Brown diz que é romântico e garante: "Sou um bom rapaz. Não faço mal pra ninguém". Alguém duvida? 

Mano Brown, um sobrevivente do inferno - Entrevista completa

Em entrevista exclusiva ao Le Monde Diplomatique Brasil, o rapper e compositor dos Racionais MCs, Mano Brown, analisa carreira e as transformações sociais e culturais do Brasil nos últimos trinta anos.





Mano Brown: "Resolvi dar esse rolê para encontrar alguns parceiros, o pessoal da quebrada e de quebra falar bastante sobre música, influências e tudo que está por vir. Espero que curtam!!!"

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